A Associação X Frágil do Rio de Janeiro (AXFERJ) é uma entidade formada por pais e
                     profissionais que trabalham com pessoas com a Síndrome do X Frágil no estado do Rio
                     de Janeiro. Sem fins lucrativos, vinculação partídaria ou religiosa, tem como objetivo
                     prestar apoio e orientação aos pacientes e familiares, divulgar o conhecimento da
                     síndrome e estimular a pesquisa de formas de tratamento.

                        A Síndrome do X Frágil (SXF) é a causa mais comum de retardo mental herdado, ultrapas-
                     sada somente pela Síndrome de Down como causa diagnosticável de retardo do
                     desenvolvimento.

                        Apesar de muito frequente, não é bem conhecida fora dos centros de genética sendo, infe-
                     lizmente, subdiagnosticada na população, especialmente pediátrica.

                        É muito importante a identificação de indivíduos com a SXF pois fornece oportunidades para
                     intervenções terapéuticas específicas e possibilita o aconselhamento genético familiar, permi-
                     tindo a prevenção de novos casos.


                                                        A Síndrome

                             As características são inúmeras e variáveis, podem estar ou não presentes, ser mais
                          ou menos intensas e envolvem um grande número de sistemas.

                             O quadro se caracteriza principalmente por retardo mental, problemas de linguagem
                          e de comportamento.

                             Os meninos com SXF costumam apresentar, principalmente após a puberdade, rosto
                          alongado, orelhas proeminentes, palato alto, pós planos, macroorquidismo.

                             São tímidos, muitas vezes se recusam a olhar as outras pessoas nos olhos, mas
                          tem o contato facilitado quando se sentem aceitos. É comum, na infância, o distúrbio
                          de deficit de atenção e hiperatividade.

                             Pode haver uma sensibilidade exagerada a ruídos, a multidões e a outros estímulos
                          excessivos (relacionada a distúrbios da integração sensorial) e a mudanças ambientais.
                          Em reações a esses fatores surgem comportamentos de auto e heteroagressividade
                          assim como estereotipias.

                             Outros problemas clínicos são frequentes, por exemplo: convulsões, otites, prolapso
                          de válvula mitral, refração ocular, estrabismo.

                                                                 Mulheres com SXF

                             São diagnosticadas numa frequencia ainda menor do que os homens, 70% apresentam
                          déficit cognitivo que compromete principalmente as funções executivas e o aprendizado
                          de matemática. Podem ter dificuldades sociais amenas como timidez e baixa capacidade
                          para inibir respostas inadequadas, problemas estes que existem mesmo na ausência de
                          retardo mental.

                                                                Aspectos genéticos

                             A SXF é uma doença hereditária ligada ao cromossoma X. Afeta 1 em cada 4000
                          meninos e 1 em cada 6000 meninas. Nestas, o quadro costuma ser mais leve.

                             A denominação X frágil refere-se a um fracionamento na porção subterminal do
                          braço longo do cromossoma X que aparece nos exames citogenéticos. O gene da SXF é
                          o FMR-1 (fragile X mental retardation1 gene) que codifica uma proteína necessária ao
                          funcionamento do sistema nervoso e de vários outros sistemas.

                             Nos indivíduos normais o gene FMR-1 é constituido por 6 a 50 repetições do
                          trinucleotídio CGG (citosina-guanina-guanina). Nas pessoas portadoras, isto é, com
                          pré-mutação, o gene tem de 50 a 200 repetições e ainda funciona, e geralmente não há
                          sintomas. Na mutação completa há mais de 200 repetições, o gene torna-se inoperante
                          e ocorre a SXF, 1 em cada 300 mulheres e 1 em cada 500 homens são pré-mutados e
                          devem ser identificados, pois transmitem a alteração.

                             Os homens com pré-mutação tem filhos homens não portadores do gene mas todas as
                          suas filhas apresentam pré-mutação, 50% das filhas de mulheres com pré-mutação podem
                          ter também a pré-mutação ou apresentar a síndrome e 50% dos filhos ter a mutação
                          completa ou a pré-mutação.

                             É importante estar atento à ocorrência de menopausa precoce pois é uma incidência
                          10 vezes maior em mulheres portadoras da SXF do que na população geral.

                             O diagnóstico de certeza da doença, atravês da análise do DNA, foi desenvolvido a partir
                          da identificação do gene FMR-1 em 1991. Atualmente é possível se diagnosticar, de
                          maneira fidedigna, homens e mulheres afetados pela SXF, além dos portadores da
                          pré-mutação.

                                                         Tratamento e perspectivas

                             Ainda não há terapéutica específica para a SXF procedendo-se ao tratamento
                          sintomático. É necessário elaborar um currículo adequado às características individuais,
                          levando-se em conta dificuldades específicas e potencialidades, com um enfoque
                          multidisciplinar envolvendo fonoaudiologia, psicopedagogia e socialização.

                             Do ponto de vista psicofarmacológico, às vezes se faz necessário o uso de
                          carbamazepina no caso de crises convulsivas e/ou como estabilizador do humor. O déficit
                          de atenção e hiperatividade assim como as crises de agressividade e de impulsividade
                          podem ser tratados com estimulantes do SNC (metilfenato), tricíclicos (imipramina),
                          clonidina e a ansiedade social com fluoxetina ou sertralina.

                             As pesquisas apontam para a terapia gênica e para a terapia de reposição da
                          proteína deficiente.

                             Na área de prevenção começa a ser realizado o diagnóstico pró-implantacional.

                                                             As associações de pais

                             Em diversos países do mundo foram criadas associações de pais de pessoas com a
                          SXF e seu papel tem sido fundamental no conhecimento da doença, na divulgação de
                          sua frequência e importância, assim como no estímulo e pesquisa.

                             Os pais criam uma rede de apoio mútuo que os fortalece, através da troca de
                          experiências, de informações e de aprendizado. Além disso, eles próprios se tornam
                          agentes de intervenção através do esclarecimento que prestam à população.

                             Em alguns locais recebem orientação de profissionais. O objetivo é encontrar a melhor
                          forma de, ao mesmo tempo, estimular e respeitar tanto os limites quanto as necessidades
                          dos filhos e de si próprios.

                             No Brasil existem associações em Porto Alegre, São Paulo, Florianópolis e no Rio de
                          Janeiro, onde a AXFERJ esta iniciando um trabalho com o apoio de alguns serviços de
                          ensino e pesquisa, especialmente o Serviço de Genética da UERJ no qual se realiza o
                          diagnóstico molecular da SXF.

                                                                    Bibliografia

                             ARTIGAS-PALLARIS, J., BRUN, C., GABAU, E.. Aspectos Médicos y Neuropsicológicos
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                             BOLETIM DA FUNDAçãO BRASILEIRA DA S?NDROME DO X-FRÁGIL. Fundação Brasileira
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                             BOY, R. et al. Síndrome do X frágil; estudo caso controle envolvendo pacientes pró e
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